É preciso amar… 05/09/2009
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• É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, verá que na verdade não há.
As pessoas passam suas vidas erraticamente, buscando e planejando um futuro melhor. Deixam que o tempo passe em tentativas, frustradas ou não, de realizarem seus sonhos. Não que isto seja algo ruim, todos tem o direito de acreditar que seus maiores desejos acontecerão se lutarem por isto. O problema é que algumas deixam de viver pela simples esperança de que suas ações atuais trarão felicidade posteriormente.
Em um mundo de correrias e superficialidades, é difícil encontrar tempo para realmente aproveitar o instante, para ouvir o que as pessoas ao seu redor têm a dizer ou para ficar junto daqueles com quem se importa. Todos se ocupam com promessas e com a pressa de atividades inacabadas, sempre adiando o que não lhes parece urgente. Não gostam de parar e pensar na mortalidade do ser humano, em como, um dia, não estarão mais no mundo para usufruir de tudo pelo que trabalharam em vida.
Desta forma, eles ignoram seus sentimentos, colocando-os em segundo plano, preocupando-se mais com o futuro que com o prazer instantâneo de estar com as pessoas que amam. Eles sentem saudades e se entristecem com a distância que impõem entre si e suas famílias ou amigos, mas tentam convencer-se que aquilo tudo valerá a pena, que o amanhã seguro e confortável é uma desculpa razoável para o sacrifício do agora. Tentam refrear suas emoções, pois não possuem tempo para gastar com coisas tão supérfluas, por assim dizer.
O ser humano não entende que, mais importante que todo o sucesso, todo o dinheiro ou realização, está o carinho e o calor de quem lhe quer bem. Esquece que amar está acima de tudo. Não é a vitória que traz a alegria, mas a capacidade de poder dividi-la com outros. Se alguém afasta todos de si, se não há para quem voltar depois de um período de amargura, então não há triunfo; quem iria querer vencer se não existe um porquê para isto? O porquê de cada um é aquele individuo que está lá, pronto para lhe congratular ou ajudá-lo a superar qualquer derrota.
É complicado determinar as prioridades de uma pessoa, é impossível definir seu sentimentos. Por mais que o ser humano tenha tentado inutilizar as emoções, transformando-as em palavras sem sentido, descartadas sem real significado, é inevitável que elas realmente existam. A ternura e o amor devem ser levados tão a sério quanto qualquer outro tipo de acontecimento, pois nunca se sabe quando alguém não será mais capaz de dizer ao outro como se sente.
“Origene” 05/08/2009
Posted by quotidiangirl in Uncategorized.Tags: dor, medo, Origem, sonho
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Ela estava deitada, o corpo pequeno e fino encolhido por entre lençóis encardidos. A menina mantinha seus olhos fechados, mas as lágrimas escapavam por debaixo de suas pálpebras e, grossas, molhavam seu rosto pálido. Ela tentava sufocar os soluços. Aquilo era mais que dor, era a miséria de uma alma sozinha.
Pra dizer a verdade, ela queria sufocar muito mais que seus soluços. Queria impedir suas lembranças de aflorarem, sufocando a mágoa e a infelicidade que atormentavam seu coração. Apertou o travesseiro em seu peito, sentindo cada músculo de seu corpo se retesar com o movimento. Um arrepio subiu por sua espinha e começou a tremer descontroladamente. Um barulho lá fora e a porta estava sendo forçada. Abriu os olhos, o castanho pálido agora choroso. O medo era tudo que restara em sua mente.
A fechadura cedeu e ali, entrando no quarto, estava sua mãe. A mulher tinha os cabelos longos e escuros caindo ao redor de sua face de forma irregular, os olhos parecendo mais dementes que jamais tinham estado. Johanna se retraiu, tentando desaparecer na escuridão imunda do local. Aquilo só irritou Celine mais ainda.
A mãe avançou para ela, seu hálito putrido de alcool e limão atingindo a menina em uma baforada. A mulher segurou o braço da filha com força, balançando-a violentamente. O silêncio era denso no cômodo, momentaneamente cortado pelo pranto da garota, que, naquele momento, escorria livremente por seu rosto. Johanna jogou-se no chão, tentando se livrar do ataque da mãe. Sentindo-se ser puxada, Celine soltou-a.
A menina encarou sua pele, as marcas vermelhas se confundindo com o roxo de seus hematomas prévios. Em um ímpeto de temor, correu para a saída do quarto, chegando ao corredor. O local parecia ainda mais frio e sombrio do que o cômodo anterior. Ela tinha noção de cada centímetro de sua pele, o ar enregelado fazendo seu corpo formigar. Mas não desistiria, ainda tinha a vantagem dos sentidos de sua mãe estarem prejudicados pela bebida. Correu, lançando-se em cada porta que aparecia, tentando abri-las.
Estava tudo trancado, como sempre. Aquela era uma técnica que Celine havia desenvolvido para que a filha não pudesse roubar nada ou tentar fugir enquanto não estivesse em casa. Johanna se chocou contra a parede, mas sentiu-se cair para trás e percebeu que conseguira entrar no banheiro. Silenciosamente, agachou-se no chão de madeira áspera, os cabelos emoldurando seu rosto cadavérico. Ergueu seu olhar e fitou seu reflexo no espelho: a tez macilenta, os machucados mal-cicatrizados, os olhos febris. E, naquele instante, percebeu que aquela era uma imagem conhecida, a mesma imagem que via entrar em seu quarto todas as noites, que lhe maltratava e que chorava em seu ombro, desculpando-se por tudo que lhe havia feito. Ela havia se tornado seu maior pesadelo: sua mãe. Mas não havia tempo para pensar naquilo.
As tábuas do assoalho rangeram, enquanto Celine adentrava o banheiro. A filha soltou um grito assustado, mas não havia escapatória. A mulher segurou-a pelos cabelos e jogou-a na parede, batendo sua cabeça contra os ladrilhos inacabados. Então, não havia mais luz alguma. Afinal, não há como fugir de suas origens.
• Nada neste conto é real. Ele é, na realidade, um sonho que tive um tempo atrás.
Reflexões de uma aula de álgebra 05/04/2009
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Cada passo é calculado
Só uma parte da razão
Que vai da vida à morte
Com raiz e em progressão
É tudo matemático
Com uma ou outra divergência
É a questão de honra,
Dor e existência
Tudo é muito lógico
Entre atos e emoções
Porque tudo é só perguntas
Muitos menos que as canções
São equações e momentos
Que testam nosso saber
Pois é na matemática
Que se resume o viver.
Porque tudo tem um começo. 05/03/2009
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O início é algo complicado, que pode ou não definir o que pensamos sobre certa coisa. A primeira impressão não só é algo cruel, como é inesquecível. A partir do momento em que adquirimos consciência, nos tornamos criaturas críticas, que julgam uns aos outros instantaneamente. É o meio que encontramos de nos proteger contra aquilo que não nos faz bem. Não posso dizer que isso esteja completamente errado. Geralmente, o primeiro pensamento que nos vem à cabeça é exatamente aquele que melhor descreve a nossa opinião sobre certo assunto. Ainda assim, nós encontramos pela vida pessoas que mudam de idéia continuamente ou que vão contra seu primeiro julgamento por influência da sociedade a qual pertencem – Eu, pessoalmente, já encontrei com viciados que, mais tarde, me confessariam nunca terem se sentido atraídos pelas drogas até o momento de as experimentarem, normalmente pela pressão dos amigos.
Mudar sua opinião não precisa ser algo ruim. É preciso que cada aspecto seja analisado de uma maneira própria, sempre relativa e dependente da situação na qual se apresenta. Sinto-me orgulhosa ao dizer que sou uma pessoa flexível, pois tenho a mente aberta e sou capaz de distinguir os bons conselhos dos ruins. Nunca amaria banana caramelada como amo se não lhe tivesse dado uma segunda chance. | Uma fruta mole e derretida, amarela, com um líquido marrom claro por cima não parece muito apetitosa à primeira vista |
O ponto desta reflexão é que não se pode julgar algo simplesmente pela sua aparência inicial. Afinal, o próprio início é algo difícil de ser instalado, e muitas vezes não tem o efeito que deveria. O importante é finalizar com chave de ouro, não é?
Beijos, Garota do Cotidiano.